Agosto Lilás chama atenção para formas de violência que vão além da agressão física

Foto de Tássia Tanara

Tássia Tanara

Jornalista formada pela PUC-GO

Campanha aborda sinais de violência e apresenta os serviços disponíveis para mulheres que enfrentam situações de abuso.

A campanha Agosto Lilás tem levado a discussão sobre violência contra a mulher para órgãos públicos e comunidades de Correntina durante este mês. Entre as atividades realizadas estão uma palestra na Prefeitura, com orientações sobre diferentes formas de violência, e um curso de empreendedorismo acompanhado de conteúdos sobre marketing digital, marketing pessoal e educação financeira. As ações ocorrem em referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, e colocam em debate situações que muitas vezes permanecem dentro de casa sem serem identificadas ou denunciadas.

Na palestra realizada na Prefeitura, o conteúdo apresentado tratou não apenas da violência física, mas também das formas psicológica, moral e patrimonial. A orientação é especialmente relevante porque algumas situações de controle, humilhação, ameaça ou dependência financeira podem ser naturalizadas dentro dos relacionamentos. As atividades também estão sendo realizadas em comunidades e localidades da zona rural, levando as informações para além dos espaços onde normalmente ocorre o atendimento especializado.

A coordenadora do CREAS, Vanderleia Silva Pereira, explica que reconhecer a violência é um dos primeiros passos para que a mulher consiga procurar ajuda. “As nossas palestras têm como objetivo levar primeiramente a informação, para que a sociedade esteja ciente e as próprias vítimas também possam reconhecer essas situações”, afirmou. Segundo ela, o trabalho realizado durante o mês também procura alcançar servidores públicos que podem se deparar com mulheres nessa situação e precisam saber como acolher e encaminhar cada caso.

Dependência financeira pode dificultar rompimento

Outro eixo das ações deste mês é o curso de empreendedorismo, que reúne conteúdos sobre marketing digital, marketing pessoal e educação financeira. A escolha dos temas está relacionada a uma dificuldade enfrentada por parte das mulheres que tentam sair de relacionamentos violentos: a dependência econômica. Ter uma fonte própria de renda não resolve, por si só, uma situação de violência, mas pode ampliar as possibilidades para quem precisa reorganizar a vida após o rompimento.

Embora o Agosto Lilás concentre as atividades de conscientização, o atendimento às mulheres em situação de violência acontece durante todo o ano. Atualmente, 94 mulheres sob medida protetiva são acompanhadas pelo CREAS, segundo a coordenação. O serviço conta com psicólogo, assistente social e advogado, que atuam no acolhimento, orientação jurídica, acompanhamento dos casos e encaminhamento para outros serviços quando necessário. A violência também pode ser percebida por pessoas próximas antes que a própria vítima procure ajuda. Para a advogada Loislane Cerrano, mudanças de comportamento podem ser um dos sinais. “Se ela era uma mulher comunicativa e se tornou retraída, mais acuada, é importante tentar conversar com ela. Muitas não se abrem por medo ou receio”.

Conforme a necessidade de cada caso, mulheres atendidas pela rede podem receber orientação jurídica e encaminhamentos para serviços de saúde e assistência social, além de benefícios como cesta básica e aluguel social. A intenção é oferecer suporte para que a saída de uma relação violenta não resulte em uma situação ainda maior de vulnerabilidade. O CREAS funciona na Praça Monsenhor André, no prédio da antiga delegacia. Apesar de o Agosto Lilás concentrar as ações de conscientização em agosto, o acompanhamento de mulheres em situação de violência e os serviços de orientação da rede permanecem disponíveis ao longo do ano.

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