Correntina passa a integrar programa internacional de cidades resilientes

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Tássia Tanara

Jornalista formada pela PUC-GO

Adesão ao MCR2030 amplia o planejamento para prevenção e resposta a desastres e coloca o município em uma rede internacional de cooperação

Correntina passou a integrar a iniciativa Construindo Cidades Resilientes 2030 (MCR2030), programa internacional voltado à redução de riscos de desastres e ao fortalecimento da capacidade dos municípios de prevenir, responder e se recuperar de situações adversas. Segundo a Defesa Civil municipal, a adesão ocorreu nos últimos meses e o município recebeu recentemente o certificado de participação na iniciativa, liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR).

A participação no MCR2030 segue dez princípios orientadores para a construção de cidades mais resilientes. Entre eles estão a identificação e compreensão dos riscos atuais e futuros, o fortalecimento da capacidade institucional, o planejamento urbano resiliente, a preparação para respostas a desastres, o aumento da resistência da infraestrutura e a recuperação após situações de emergência. A proposta é incorporar a gestão de riscos ao planejamento das cidades, com ações que vão da prevenção à reconstrução.

O programa também estabelece uma trajetória de trabalho dividida em três etapas: compreensão dos riscos e conscientização, planejamento de estratégias de resiliência e implementação de ações com acompanhamento dos resultados. Na prática, a adesão permite que os municípios tenham acesso a ferramentas de diagnóstico, troca de experiências e conexões com outras cidades e especialistas que participam da iniciativa.

Prevenção e monitoramento

Em Correntina, esse processo envolve o levantamento dos riscos existentes, o monitoramento de situações que podem afetar a população e a definição prévia de estratégias para diferentes cenários. De acordo com a diretora da Defesa Civil municipal, Raiane Castro, o município também trabalha na elaboração do Plano de Contingência, instrumento que deve organizar procedimentos e responsabilidades para situações de emergência. Entre os principais riscos acompanhados estão os alagamentos durante o período chuvoso e os incêndios florestais, apontados pela Defesa Civil como uma das ocorrências que mais exigem atenção no município. O monitoramento utiliza sistemas capazes de acompanhar situações adversas em tempo real e contribuir para a emissão de alertas e para o acionamento das equipes quando houver necessidade de intervenção.

A atuação da Defesa Civil envolve ainda a articulação com diferentes órgãos. A estrutura municipal funciona como ponto de integração entre setores que podem atuar em situações de emergência, reunindo representantes das secretarias municipais e mantendo articulação com instituições como Corpo de Bombeiros, polícias e órgãos estaduais. “A Defesa Civil é como se fosse o órgão articulador. A gente planeja e, na execução, os outros órgãos entram como apoio de projetos e de mão de obra”, explica Raiane Castro.

Segundo a diretora, um conselho formado por representantes das diferentes secretarias reúne atualmente entre 20 e 25 integrantes, enquanto a estrutura direta da Defesa Civil é composta pela diretora e por um coordenador. A proposta é integrar diferentes áreas da administração municipal para que as respostas a situações adversas não dependam de uma única equipe, mas de uma estrutura previamente organizada. A lógica do trabalho é estabelecer previamente como o município deverá agir diante de diferentes tipos de ocorrência. Em um cenário de risco, o planejamento permite definir responsabilidades, mobilizar equipes, orientar a população e reduzir o tempo de resposta. Um exemplo citado pela Defesa Civil é a necessidade de considerar previamente os riscos associados a estruturas e atividades existentes no território para estabelecer medidas de prevenção e procedimentos caso uma emergência aconteça.

A adesão ao MCR2030 também coloca Correntina em contato com experiências desenvolvidas por outras cidades participantes. A iniciativa prevê o compartilhamento de conhecimento, ferramentas e estratégias para que os governos locais ampliem sua capacidade de reduzir riscos e lidar com os impactos provocados por desastres e eventos extremos. A certificação, no entanto, não representa o encerramento desse processo. A participação no programa é contínua e prevê o avanço gradual das cidades na identificação de riscos, no planejamento e na implementação de medidas de resiliência. Para Correntina, a entrada na iniciativa passa a integrar o trabalho de prevenção e preparação desenvolvido pela Defesa Civil, especialmente diante de ocorrências como incêndios florestais e alagamentos, que exigem monitoramento e capacidade de resposta.

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