Ir para o conteúdo
Correntina, Bahia · 21 de outubro de 2026Jornalismo de verdade e responsabilidade
Folha CorrenteCorrentina e Oeste da Bahia
Início / Correntina
Correntina

Da roça à banca, agricultores de Silvânia e região relatam dificuldades para produzir e vender

Redação Folha Corrente
Publicado em 21/10/2026 às 11h01
Compartilhar no WhatsApp
Atendimento em barraca com alimentos preparados.
Atendimento em barraca com alimentos preparados. Foto: Givaldo de Jesus / ASCOM.

Depoimentos apontam obstáculos na irrigação, no transporte e na comercialização; coordenação da feira pede apoio à organização e à divulgação dos produtos.

Foto: Givaldo de Jesus / ASCOM.

A chegada da água às plantações, o deslocamento para vender e o retorno para casa com mercadorias sem comprador aparecem nos relatos de agricultores de Silvânia e comunidades próximas, em Correntina. As entrevistas reunidas pela reportagem mostram experiências diferentes de quem produz para o consumo da família e busca nas feiras uma forma de complementar a renda.

A agricultora Ivone Rodrigues, moradora de Silvânia, conta que cultiva hortaliças para comercialização e outros alimentos destinados à própria família. Na safra mencionada na entrevista, afirma que não conseguiu colher feijão e milho porque a água deixou de chegar pelo canal de irrigação. O período e a dimensão das perdas ainda não estão documentados no material recebido.

Ivone relata também que nem sempre vende tudo o que leva à feira. Às vezes, diz, comercializa apenas uma parte e retorna com os produtos. Na avaliação dela, a presença de mercadorias vindas de fora da região dificulta as vendas dos agricultores locais. A entrevistada pede ainda apoio para o preparo das terras, diante do custo de contratar um trator.

Luzinete de Souza Neiva, conhecida como Neta, também aponta dificuldades na chegada da água às lavouras. Identificada pela apuração como presidente da Associação de Pequenos Agricultores da Silvânia e coordenadora da Feira da Agricultura Familiar, ela relata melhorias parciais com apoio da Prefeitura e da Secretaria de Agricultura, mas afirma que persistem problemas nos trechos finais dos canais.

Segundo Neta, a falta de água prejudica a produção e o momento da colheita. Ela defende limpeza e acompanhamento mais frequente dos canais. Os depoimentos não permitem delimitar todos os trechos afetados, as datas das ocorrências ou suas causas.

No transporte, as experiências relatadas variam. Neta informa que os feirantes costumam utilizar veículos próprios. Joaquim Lourenço, que conta participar da feira com a esposa, relata dificuldades de deslocamento em períodos de chuva. O trecho e a época dessas dificuldades ainda precisam ser precisados.

Joaquim diz que planta primeiro para o consumo da casa e vende o excedente para complementar a renda. Entre os cultivos, menciona feijão, mandioca e hortaliças. Segundo ele, a dependência das chuvas e a disponibilidade de irrigação interferem na possibilidade de manter a produção ao longo do ano.

A família também comercializa alimentos preparados. Para Joaquim, participar da feira tem um valor que vai além das vendas: mesmo quando sobra mercadoria, o encontro com amigos e moradores faz parte da experiência.

Segundo Neta, a feira de Silvânia acontece quinzenalmente, das 17h às 21h, na praça da comunidade, e recebe produtores locais e de comunidades como Jenipapo, São Francisco e Cobra Verde. Ela informa que os critérios de participação incluem agricultura familiar, produção própria e vínculo associativo.

Esses critérios ainda precisam ser confrontados com as regras formais. Também falta esclarecer a quais feiras se referem os diferentes trechos das entrevistas de Ivone e Joaquim. Por isso, os questionamentos sobre a origem das mercadorias não permitem concluir que haja descumprimento das regras da feira de Silvânia.

Entre as necessidades de organização, Neta cita formação para divulgar os produtos, identificação das barracas e apoio ao uso de QR codes para pagamentos por Pix. Ela também pede maior presença da Vigilância Sanitária para orientar os participantes e ressalta cuidados na apresentação e nas embalagens dos alimentos.

As demandas apresentadas vão da produção rural ao atendimento nas bancas. Ainda faltam respostas independentes da Secretaria de Agricultura e da Vigilância Sanitária sobre os pontos levantados. Não há, no material disponível, elementos suficientes para afirmar irregularidades sanitárias ou classificar os produtos como orgânicos.

Share this content:

Continue lendo

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *