Como Correntina busca evitar que alunos cheguem aos anos finais sem saber ler e escrever
Tássia Tanara
Jornalista formada pela PUC-GO
Formação continuada, acompanhamento pedagógico, educação inclusiva e o Projeto Alfabetiza Correntina integram as ações desenvolvidas pela rede municipal para enfrentar a defasagem de aprendizagem
A alfabetização na idade adequada continua sendo um dos principais desafios da educação pública. Em Correntina, esse cenário tem mobilizado a Secretaria Municipal de Educação na construção de um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da aprendizagem desde os primeiros anos escolares. Entre elas estão o acompanhamento pedagógico das escolas, a formação continuada de professores, a ampliação das políticas de educação inclusiva, a recomposição das aprendizagens e a implantação do Projeto Alfabetiza Correntina.
A estratégia parte de um diagnóstico que vai além dos indicadores educacionais. A rede municipal ainda convive com estudantes que chegam aos anos finais do Ensino Fundamental apresentando dificuldades de leitura e escrita, situação que, segundo a equipe técnica da Secretaria, exige intervenções desde a alfabetização até o acompanhamento dos alunos que já acumulam defasagens ao longo da trajetória escolar.
Para a técnica da Secretaria de Educação, Cledivone Mota, enfrentar esse cenário exige uma atuação permanente junto às escolas e aos profissionais da educação. “A Secretaria precisa segurar na mão do professor, do gestor e de quem está dentro da escola. É esse acompanhamento, aliado às formações e às visitas pedagógicas, que faz a diferença na aprendizagem dos estudantes.”
Ela explica que o trabalho desenvolvido pela rede busca fortalecer tanto a base da alfabetização quanto os anos finais do Ensino Fundamental. Enquanto as crianças em fase de alfabetização recebem acompanhamento sistemático, estudantes que apresentam defasagem de aprendizagem passam a integrar uma política de recomposição das aprendizagens, construída para identificar as dificuldades e definir estratégias específicas de recuperação. Além das ações pedagógicas, a Secretaria também aponta a melhoria da infraestrutura escolar como um dos desafios para elevar a qualidade da educação. A climatização das salas de aula, a ampliação de espaços e a adequação dos prédios escolares fazem parte do planejamento da gestão, que considera as condições físicas das escolas um fator importante para o processo de ensino e aprendizagem.
Alfabetização acompanhada de perto
Dentro desse conjunto de iniciativas, o Projeto Alfabetiza Correntina foi criado para fortalecer o trabalho desenvolvido nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Coordenado por Rosiana Vilas Boas, o projeto acompanha a rotina das escolas, oferecendo suporte aos professores e coordenadores pedagógicos, promovendo formações e monitorando a execução das estratégias de alfabetização ao longo do ano letivo. A proposta vai além da elaboração de atividades. A equipe acompanha o desenvolvimento do trabalho nas unidades escolares, analisa avaliações internas e identifica pontos que precisam ser aperfeiçoados para que o planejamento pedagógico dialogue com a realidade de cada turma. “O Alfabetiza Correntina é um trabalho de acompanhamento. Nós apresentamos o projeto, orientamos as equipes e voltamos às escolas para monitorar como ele está sendo desenvolvido. Esse acompanhamento permite ajustar as estratégias e apoiar os professores durante todo o processo.”
Segundo a coordenação, as avaliações internas realizadas pela própria rede municipal cumprem um papel importante nesse acompanhamento. Elas permitem identificar dificuldades antes das avaliações externas e ajudam a orientar intervenções pedagógicas ao longo do ano, em vez de apenas medir resultados ao final do ciclo.
Outra frente considerada estratégica pela Secretaria é a formação continuada dos profissionais da educação. Professores e coordenadores participam de capacitações periódicas voltadas tanto aos anos iniciais quanto aos anos finais do Ensino Fundamental, com foco em metodologias de ensino e acompanhamento da aprendizagem. As ações também incluem o fortalecimento da educação inclusiva. Além do trabalho desenvolvido pelo Centro Municipal de Atendimento Psicopedagógico (CEMAP), a rede passou a contar com o apoio do Instituto Hoffmann para ampliar o rastreamento de estudantes com dificuldades de aprendizagem e possíveis transtornos do neurodesenvolvimento. As equipes realizam avaliações nas escolas, entrevistas com as famílias e produzem informações que auxiliam professores e coordenadores na elaboração de estratégias pedagógicas mais adequadas às necessidades de cada estudante.
Um desafio de longo prazo
Embora a Secretaria reconheça que os desafios ainda são significativos, especialmente diante da existência de estudantes dos anos finais com dificuldades de leitura e escrita, a expectativa é que a combinação de ações permanentes fortaleça a aprendizagem ao longo dos próximos anos. Mais do que desenvolver um único programa, a proposta da rede municipal é integrar acompanhamento pedagógico, formação dos profissionais, educação inclusiva, recomposição das aprendizagens e projetos específicos de alfabetização para reduzir a defasagem escolar desde os primeiros anos de ensino e evitar que essas dificuldades acompanhem os estudantes ao longo da vida escolar.



Publicar comentário