Climatizadores sem higienização podem se tornar criadouros do mosquito da dengue, alerta Coordenação de Endemias

Foto de Tássia Tanara

Tássia Tanara

Jornalista formada pela PUC-GO

A recomendação é que climatizadores, bebedouros de animais e outros reservatórios de água sejam higienizados regularmente para interromper o ciclo do mosquito.

Com o avanço do período de estiagem, o combate à dengue passa a depender ainda mais dos cuidados adotados pelos moradores dentro de casa. Sem a presença constante das chuvas, o Aedes aegypti encontra em recipientes de uso doméstico as condições ideais para se reproduzir, especialmente aqueles que armazenam água por longos períodos. Entre os equipamentos que merecem atenção está o climatizador de ar, cuja manutenção inadequada pode favorecer a proliferação do mosquito.

Segundo o coordenador de Endemias, José Marcos Montalvão, um dos equívocos mais comuns é acreditar que apenas substituir a água do reservatório elimina o risco. Ele explica que os ovos do Aedes aegypti são depositados nas paredes internas do equipamento e podem permanecer aderidos por até um ano, mesmo na ausência de água. Ao entrar novamente em contato com o reservatório cheio, esses ovos eclodem e dão início a um novo ciclo de reprodução do mosquito.

“O morador acha que a água está limpa e que basta trocar, mas os ovos ficam nas bordas do climatizador. O ideal é lavar o reservatório toda semana com água, sabão e uma bucha para remover esses ovos.”

A orientação da Coordenação de Endemias é que o reservatório seja higienizado semanalmente, com água, sabão e fricção das superfícies internas. A simples troca da água não é suficiente para eliminar os ovos aderidos ao equipamento. O cuidado se torna ainda mais importante durante o inverno, quando muitas pessoas deixam o climatizador guardado ou sem uso por vários dias, muitas vezes ainda com água no interior.

Atenção aos recipientes de uso diário

Embora os climatizadores tenham recebido atenção especial neste período, eles estão longe de ser os únicos recipientes capazes de servir como criadouros. Durante as visitas domiciliares, os agentes também identificam focos em bebedouros de animais, caixas-d’água mal vedadas, piscinas sem manutenção, fossas desprotegidas, pneus, ralos, vasos sanitários de imóveis fechados e diversos objetos que acumulam água. Em muitos casos, os recipientes fazem parte da rotina da casa e acabam passando despercebidos pelos moradores.

Um dos exemplos mais frequentes, segundo a equipe, são os recipientes utilizados para fornecer água aos animais domésticos. Trocar apenas a água não interrompe o ciclo do mosquito, já que os ovos permanecem fixados nas laterais do recipiente. Por isso, além da renovação da água, é indispensável realizar a lavagem com água, sabão e uma esponja ou escova pelo menos uma vez por semana.

Visitas seguem calendário do Ministério da Saúde

O trabalho desenvolvido pela Coordenação de Endemias é permanente e segue o calendário epidemiológico estabelecido pelo Ministério da Saúde. As equipes realizam visitas domiciliares em ciclos que contemplam todos os bairros do município e, posteriormente, as comunidades da zona rural. Durante esse trabalho, os agentes inspecionam os imóveis, eliminam criadouros, realizam tratamentos quando necessários e orientam os moradores sobre as medidas de prevenção.

Além das visitas programadas, a população pode acionar a equipe sempre que identificar possíveis focos do mosquito ou situações que exijam vistoria, como imóveis fechados por longos períodos. Quando há notificação de um caso suspeito ou confirmado de dengue, os agentes realizam o bloqueio da área, ampliando a inspeção para os imóveis vizinhos com o objetivo de localizar e eliminar possíveis criadouros.

A Coordenação de Endemias reforça que a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão da doença. Reservar alguns minutos da semana para vistoriar a casa, eliminar recipientes que acumulam água e higienizar corretamente aqueles que precisam permanecer com água são medidas simples, mas capazes de interromper o ciclo do Aedes aegypti antes que novos mosquitos cheguem à fase adulta.



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