Garis dividem jornada para evitar os horários mais quentes, enquanto agentes de endemias antecipam visitas e mototaxistas reforçam proteção contra o sol
O calor intenso registrado em Correntina tem alterado a rotina de trabalhadores que passam parte do dia expostos ao sol. Embora cada atividade tenha uma dinâmica diferente, garis, agentes de endemias e mototaxistas relatam a necessidade de adaptar horários, fazer pausas, reforçar a hidratação e ampliar a proteção contra a exposição solar para manter o trabalho durante os dias de temperaturas elevadas.
Entre os trabalhadores da limpeza urbana, a jornada é organizada de forma a evitar parte do período de maior intensidade do sol. Maria Aparecida Sales dos Santos, que trabalha na atividade há cerca de dois anos, conta que começa o expediente às 6h e segue até aproximadamente 10h30. Depois, retorna para casa e volta ao trabalho por volta das 14h. Segundo ela, o intervalo permite descansar e esperar que o sol diminua de intensidade antes de retornar às atividades. Maria afirma ainda que recebe os materiais necessários para o trabalho, incluindo protetor solar e luvas.

A hidratação também faz parte da rotina. Maria conta que leva água consigo e aproveita pontos onde há disponibilidade para reabastecer a garrafa durante o expediente. “A gente passa no hospital, em qualquer lugar que tem água, enche as garrafinhas e toma o dia todo”, relata. Além da água, os trabalhadores recebem protetor solar, luvas e outros materiais necessários para a execução das atividades. Segundo Maria, a orientação é evitar a exposição excessiva ao sol e manter os equipamentos de proteção durante o serviço. Ela afirma que esses cuidados são reforçados justamente para reduzir os efeitos do calor e da exposição prolongada ao sol durante a jornada.
Agentes antecipam visitas domiciliares
Entre os agentes de endemias, a estratégia adotada para enfrentar o calor é concentrar as visitas domiciliares nas primeiras horas da manhã. Daniel Santos Magalhães, que atua na região do Centro 2, explica que a jornada dos agentes ocorre das 7h às 13h, mas a prioridade é concluir a maior parte das atividades externas antes do período de maior calor. Segundo ele, os agentes procuram iniciar as visitas por volta das 7h30 e chegar ao fim da maior parte dos atendimentos entre 10h e 10h30. Quando encontram algum imóvel fechado, permanecem na sombra e retornam posteriormente para tentar concluir o serviço. “A gente tenta ao máximo fazer esse trabalho mais cedo devido a esse alto índice de calor.”
A proteção individual também faz parte da rotina dos agentes. Daniel afirma que a equipe utiliza uniforme com proteção UV, colete e chapéu, além de protetor solar e garrafa de água durante as visitas. Os agentes também podem reabastecer a água em pontos de apoio e locais públicos ao longo do expediente. Para Daniel, manter esses cuidados é importante não apenas para garantir a continuidade das visitas, mas também para preservar a própria saúde dos trabalhadores. “A gente tem que se preocupar além da saúde dos moradores, a nossa saúde também está em jogo. Então, se a gente não tiver bem, não tem como desempenhar um serviço de qualidade.”
Para quem trabalha de forma autônoma, como os mototaxistas, a proteção depende principalmente de estratégias individuais. Amarildo Caetano de Souza conta que mantém praticamente todo o corpo coberto durante o expediente, utilizando luvas, camisa de manga comprida, calça e botina. O rosto, que permanece mais exposto, recebe aplicação frequente de protetor solar.
Sem um ponto coberto para permanecer durante o trabalho, ele também reforça a hidratação e busca maneiras de amenizar a sensação provocada pelo calor. Em alguns dias, conta que chega a umedecer a camisa antes de retornar às ruas. “Eu tô muito sofrendo com a sofrência do sol”, relata Amarildo, que afirma sentir a pele queimar e arder quando não reforça a proteção.
Defesa Civil orienta pausas e proteção
A Defesa Civil alerta que, para quem trabalha exposto ao sol, os cuidados devem considerar não apenas a temperatura, mas também a baixa umidade e a intensidade da radiação ultravioleta. Entre os principais riscos estão desidratação, exaustão pelo calor, queimaduras e danos provocados pela exposição prolongada aos raios UV. A orientação é manter a hidratação mesmo sem sentir sede, utilizar roupas adequadas, proteção para cabeça e olhos e protetor solar, além de fazer pausas em locais frescos, ventilados e protegidos do sol.
O órgão aconselha também evitar atividades sob exposição direta entre 11h30 e 15h, período apontado como de maior intensidade solar.
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