Desaparecimento termina com morte de servidora pública de Santa Maria da Vitória
Tássia Tanara
Jornalista formada pela PUC-GO
Edna Barbosa foi encontrada morta dois dias após desaparecer; caso é investigado pela Polícia Civil e eventual feminicídio ainda não foi confirmado
A servidora pública municipal Edna Barbosa da Silva, de 41 anos, moradora de Santa Maria da Vitória, município vizinho a Correntina, foi encontrada morta na tarde de quarta-feira (19), dois dias após desaparecer. O corpo foi localizado em uma área rural de Jaborandi. Durante as investigações, um homem de 43 anos, que manteve um relacionamento com Edna, foi preso e é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito.
A investigação apura as circunstâncias da morte e a eventual relação com violência de gênero. A hipótese de feminicídio ainda não foi confirmada, e a Polícia Civil deverá reunir os elementos necessários para esclarecer a dinâmica do crime e definir seu eventual enquadramento. Durante as diligências, foram analisadas imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros elementos relacionados aos últimos momentos conhecidos da vítima.
O caso de Edna ocorre em um cenário de números expressivos de violência contra mulheres na Bahia. Entre janeiro e junho de 2026, o estado registrou 51 feminicídios, uma média de quase nove casos por mês. A Bahia ficou na quarta posição entre os estados brasileiros com maior número de registros no primeiro semestre, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O total representa cerca de 6,9% dos 741 feminicídios registrados no Brasil no período. No Nordeste, foram 185 casos, uma redução de 19,9% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Os dados estaduais também mostram a proximidade entre vítimas e autores em grande parte dos casos. Em 2024, a Bahia registrou 111 feminicídios, e levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria da Segurança Pública, apontou que 84,4% dos casos tiveram como autores companheiros, ex-companheiros ou namorados. Enquanto 72,1% ocorreram dentro da residência da vítima, em 2025, foram registrados outros 102 feminicídios no estado.
Investigação segue em andamento
No caso de Edna, a prisão do homem apontado como principal suspeito ocorreu durante a investigação e não representa uma conclusão sobre sua responsabilidade pela morte. A apuração deverá esclarecer o que aconteceu depois que a vítima entrou na residência do homem e quais circunstâncias levaram à sua morte. A ocorrência ganha atenção durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A campanha também marca, neste ano, os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, que estabeleceu mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.
O caso permanece sob investigação da Polícia Civil, que deverá avançar na apuração das circunstâncias da morte e na responsabilização do eventual autor.



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