Durante sessão da Câmara nesta terça-feira (11), o parlamentar afirmou que o secretário da Casa Civil chegou despreparado e não apresentou medidas concretas para enfrentar os conflitos fundiários no Oeste baiano.
Por Lúcio Vérnon | Folha Corrente
A presença do secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence, em Correntina, na terça-feira (11), tornou-se centro de críticas na Câmara Municipal. O vereador Bruno Barreto afirmou em plenário que a visita do representante estadual, aguardada para tratar de temas sensíveis como fechos de pasto, uso da água e conflitos fundiários, terminou sem respostas objetivas e sem qualquer avanço concreto.
Segundo Bruno, o secretário demonstrou desconhecimento da pauta e não apresentou informações ou encaminhamentos que correspondessem às expectativas criadas pela agenda. O vereador destacou que, para uma região marcada por disputas complexas e históricas, a presença de um membro da Casa Civil deveria vir acompanhada de preparo técnico e clareza sobre possíveis soluções.
“Quando ele pegou o papel e disse que não sabia a pauta, quem ficou com vergonha fui eu”, disse Bruno em seu discurso. Para o parlamentar, a reunião se transformou em um encontro burocrático, sem conteúdo prático ou demonstração de capacidade do Estado em enfrentar o problema.
O vereador afirmou que a situação reforçou a percepção de que as dúvidas e inseguranças que afetam comunidades do interior não estão sendo tratadas com a urgência e seriedade necessárias pela esfera estadual.
“O Estado está entre o agro e o povo”
No segundo trecho de sua fala, o vereador Bruno Barreto ampliou o tom crítico e direcionou o foco para a postura do governo estadual diante dos conflitos que envolvem produtores rurais e comunidades tradicionais no Oeste da Bahia. Para ele, a falta de preparo vista na visita de Afonso Florence não é um episódio isolado, mas um reflexo de indefinição política.
Bruno afirmou que o Estado tem evitado tomar decisões claras em um cenário onde, segundo ele, “não há mais espaço para neutralidade”. O parlamentar destacou que os conflitos sobre terra, água e uso dos fechos de pasto têm se agravado justamente porque o governo não estabelece rumos firmes.
“Eu entendo que é um conflito difícil, mas alguém precisa decidir. O Estado está entre o agro e o povo. Se continuar empurrando, o problema vai crescer até engolir a todos”, afirmou.
Para o vereador, não se trata de optar por um lado ou outro, mas de assumir a responsabilidade que cabe ao poder público de regular, fiscalizar e garantir direitos. Ele ressaltou que a população não espera discursos conciliatórios, mas ações que corrijam distorções históricas e assegurem condições mínimas de sobrevivência a quem depende dessas áreas para viver.
Bruno reforçou que, diante da ausência de decisões, famílias que utilizam tradicionalmente os fechos de pasto continuam sem segurança jurídica e expostas a conflitos que se repetem ano após ano.
“A região está gemendo e o povo quer atitude”
Em um momento mais duro de seu pronunciamento, Bruno Barreto afirmou que a situação chegou a um ponto em que a população do interior já não suporta agendas que apenas renovam promessas. Para ele, a visita de Afonso Florence representou exatamente isso: um deslocamento oficial sem consequências práticas.
O vereador disse que a região vive uma rotina de incertezas e que a ausência de decisões efetivas tem aprofundado o desgaste das comunidades rurais. Ele criticou o fato de o secretário da Casa Civil ter afirmado que não poderia resolver os conflitos, interpretação que, segundo Bruno, reforça o sentimento de abandono.
“É vergonhoso um secretário da Casa Civil vir aqui e dizer que não resolve nada. A região está gemendo, sofrendo e precisando de resposta. O povo quer atitude, não discurso”, declarou.
Bruno argumentou que a cobrança não é por alinhamento político, mas por responsabilidade administrativa. Para ele, quando o governo chega ao município, deve trazer dados, diagnósticos e propostas, e não apenas ouvir relatos e retornar sem assumir compromissos.
O tom do discurso deixa claro que, na visão do vereador, a falta de preparo demonstrada na visita de Florence prejudica a credibilidade do governo e desestimula a população a acreditar que haverá mudanças.
Falta de encaminhamentos reforça sensação de estagnação
Ao finalizar sua fala, Bruno Barreto afirmou que a visita de Afonso Florence acabou simbolizando o que ele descreveu como um quadro de estagnação na relação entre o governo estadual e os municípios do Oeste. Para o vereador, não se trata apenas da ausência de respostas no encontro desta semana, mas de um padrão que se repete em diferentes agendas ao longo dos anos.
Bruno destacou que a região enfrenta conflitos complexos e que qualquer presença institucional deveria vir acompanhada de equipe técnica, clareza de diagnóstico e proposta de encaminhamento. Sem isso, segundo ele, a visita deixa de ser instrumento de solução e passa a reforçar o sentimento de que o Estado não está preparado para assumir o enfrentamento do problema.
Ele afirmou que continuará cobrando postura mais assertiva das autoridades estaduais e que aguarda que as próximas visitas sejam pautadas por objetividade e compromisso real com a resolução dos conflitos fundiários e ambientais que afetam Correntina e municípios vizinhos.
