Obra da ETE avança e técnicos explicam etapas, impactos e funcionamento do novo sistema
Tássia Tanara
Jornalista formada pela PUC-GO
Responsáveis técnicos explicam como o sistema vai funcionar, detalham os próximos passos da obra e esclarecem os transtornos enfrentados pela população durante a execução
A implantação do sistema de esgotamento sanitário de Correntina segue em execução e já alcançou entre 25% e 30% do cronograma geral da obra. Considerado um dos maiores investimentos em infraestrutura urbana do município, o projeto prevê a implantação da rede coletora de esgoto, uma estação elevatória e uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), estruturas que substituirão o antigo sistema de lagoas de estabilização utilizado há décadas.
A obra, financiada pela Agência Peixe Vivo e pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), começou pelas redes subterrâneas, etapa que exige escavações nas vias públicas e tem provocado alterações no trânsito, acúmulo de poeira e restrições temporárias de acesso às residências.
Em entrevista ao Folha Corrente, o engenheiro da Prefeitura e fiscal do contrato, Aglailson Neves, e a engenheira responsável pela execução da obra, Viviane Gonçalves, explicaram como o sistema funcionará, e porquê as intervenções precisam ocorrer dessa forma e quais medidas estão sendo adotadas para reduzir os impactos durante a execução.
Uma mudança na forma de tratar o esgoto
Hoje, parte do esgoto coletado na cidade é destinada ao sistema de lagoas de estabilização implantado no fim da década de 1990. Com a nova estrutura, o esgoto passará a ser conduzido por uma rede coletora instalada sob as ruas até uma estação elevatória, responsável por bombear os efluentes para a Estação de Tratamento de Esgoto.
Na ETE, o material passará por diferentes etapas de tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente dentro dos parâmetros ambientais estabelecidos pela legislação. Segundo Aglailson Neves, o objetivo é reduzir a carga orgânica lançada nos recursos hídricos e substituir um sistema considerado ultrapassado para a demanda atual do município. Além da estação de tratamento, será construída uma estação elevatória, estrutura que receberá todo o esgoto coletado pela rede e fará o bombeamento até a unidade de tratamento. “O que existe hoje será desativado. A nova estação contará com equipamentos próprios para o tratamento do esgoto antes da devolução da água ao meio ambiente, reduzindo significativamente a carga poluente”, explicou.
Rede coletora avança pelas ruas da cidade
Segundo a engenheira Viviane Gonçalves, aproximadamente 18 quilômetros de rede coletora serão implantados nesta primeira etapa. Desse total, cerca de cinco a seis quilômetros já foram executados. As equipes iniciaram os trabalhos em regiões com menor circulação de veículos para reduzir os impactos iniciais e, gradualmente, avançam para áreas mais movimentadas da cidade. Após a conclusão da rede coletora, todas as tubulações serão interligadas às futuras unidades da estação elevatória e da Estação de Tratamento de Esgoto.
Embora as tubulações e as ligações domiciliares já estejam sendo instaladas, nenhum imóvel está sendo conectado ao sistema neste momento. A ligação efetiva somente ocorrerá após a conclusão das estruturas responsáveis pelo bombeamento e tratamento do esgoto. Durante a execução, a equipe técnica também realiza ajustes em campo para garantir que imóveis construídos após a elaboração do projeto original sejam contemplados pelas ligações domiciliares.
Ao contrário de obras convencionais, a implantação da rede de esgoto acontece abaixo do nível das ruas e exige escavações contínuas para instalação das tubulações, caixas de inspeção e poços de visita. Esse processo interfere temporariamente no trânsito, no acesso às residências e gera poeira, principalmente durante o período seco.
A expectativa é que a recomposição das primeiras vias já escavadas seja iniciada nas próximas etapas da obra, enquanto novas frentes de serviço continuam avançando. Nas regiões centrais, onde há maior circulação de veículos e pedestres, a empresa também estuda realizar parte das escavações no período noturno, medida que busca reduzir impactos no trânsito durante o dia.
Moradores convivem com os impactos da obra
Enquanto acompanham o avanço das escavações, moradores relatam que os principais transtornos estão relacionados à poeira, à dificuldade de circulação e às mudanças temporárias no acesso às residências. A moradora Neiuce Araújo afirma que a rotina da vizinhança mudou desde o início dos trabalhos, mas considera que os benefícios esperados justificam os transtornos temporários. “Hoje a gente convive com poeira, barro e mudanças para entrar e sair de casa. Não é confortável, mas entendemos que é uma obra necessária. Se realmente resolver o problema do tratamento do esgoto e ajudar a preservar o rio, acredito que o benefício vai compensar.”
A obra permanece dentro do cronograma, com previsão de conclusão em aproximadamente um ano e meio. Paralelamente ao avanço da implantação da rede coletora, seguem as tratativas administrativas para o início das obras da estação elevatória e da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), etapas necessárias para que o sistema possa entrar em operação após a conclusão da infraestrutura subterrânea.



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