Construtora CRT rebate pontos levantados por vereador sobre paralisação da Escola Maria da Conceição

Em vídeos recentes, vereador Will atribuiu a interrupção da obra à Prefeitura; empresa responsável apresenta versão diferente e explica que o problema envolve atraso do Estado.

A obra da Escola Municipal Maria da Conceição voltou a gerar debate público após a divulgação de vídeos em que o vereador Will responsabiliza a Prefeitura pela paralisação do projeto. Nas gravações, ele afirma que a gestão não teria cumprido etapas de prestação de contas e cita um aditivo contratual como se representasse mudança substancial no andamento da construção.

A versão apresentada pelos responsáveis técnicos da construtora CRT, porém, indica que a interrupção ocorreu por motivos distintos. Segundo informações da empresa, o Governo do Estado da Bahia não libera novas parcelas desde março de 2025, apesar de medições e etapas estruturais já terem sido aprovadas no convênio. Sem a liberação do repasse estadual, a obra fica automaticamente suspensa, impedindo o avanço do cronograma.

O que os vídeos do vereador deixam de esclarecer

Nos vídeos divulgados nas redes sociais, o vereador Will afirma que a obra teria sido interrompida por falhas na prestação de contas da Prefeitura. Ele também menciona um aditivo, sugerindo ao público que houve alguma mudança relevante no contrato ou nos custos da construção. O problema é que essas afirmações não aparecem acompanhadas de explicações técnicas que permitam compreender o contexto.

 

O ponto central omitido é que o aditivo citado pelo vereador não altera valores, não amplia orçamento e não acrescenta despesa ao município. Ele existe apenas para prolongar o prazo de vigência do convênio enquanto o Estado não regulariza o repasse financeiro. Esse tipo de extensão é uma medida administrativa comum em projetos que dependem de recursos externos e não tem relação com falhas da gestão municipal.

Também não é mencionado que a pendência que trava o repasse estadual está ligada a uma prestação de contas de novembro de 2024, referente à gestão anterior. Enquanto esse documento permanece em análise nos sistemas do governo da Bahia, nenhuma nova parcela pode ser liberada, independentemente da situação da obra. Essa é a razão administrativa que mantém o convênio travado, e não qualquer decisão ou atraso da Prefeitura.

A ausência desses elementos nos vídeos produz uma leitura incompleta do processo e cria a impressão de que a paralisação tem origem municipal, quando os registros indicam que o bloqueio ocorre na esfera estadual.

A versão técnica da CRT altera o entendimento da paralisação

A construtora CRT afirma que a interrupção da obra não está ligada a qualquer inadimplência do município. Segundo a empresa, todas as etapas sob responsabilidade da Prefeitura foram cumpridas, incluindo as contrapartidas previstas no projeto e o acompanhamento técnico das medições realizadas ao longo da execução. O que impede a continuidade é a ausência de liberação das parcelas estaduais, que deveria ocorrer após a aprovação das etapas já concluídas.

Os responsáveis pela empresa explicam que a última liberação ocorreu em março de 2025, e que desde então não houve nenhum repasse por parte do Governo do Estado da Bahia. As medições foram aprovadas, os relatórios técnicos foram anexados e a obra chegou a avançar até o limite possível dentro da margem financeira existente. Sem o pagamento correspondente, qualquer avanço torna-se inviável.

A CRT também ressalta que, caso o repasse seja regularizado pelo Estado, a construção poderia ser concluída em aproximadamente três meses, já que a estrutura executada até o momento permite retomar o trabalho sem necessidade de reconstrução ou revisão. A empresa reforça que o cronograma só não avança porque depende exclusivamente da deliberação técnica do governo estadual.

Uma obra que avançou, mas ficou dependente do repasse estadual

Antes da paralisação, a construção da Escola Maria da Conceição seguia em ritmo constante. A fundação havia sido concluída, a alvenaria já estava erguida em boa parte do prédio e as instalações iniciais tinham sido estruturadas. O canteiro mostrava avanço e organização, com etapas prontas para serem continuadas assim que o cronograma financeiro permitisse.

A interrupção não ocorreu por falhas técnicas, ausência de equipe ou falta de materiais. Ela surgiu no momento em que o convênio ficou sem a liberação da parcela seguinte do Estado, impedindo a continuidade das fases previstas. Obras vinculadas a convênios estaduais funcionam com regras rígidas: sem o repasse correspondente à medição aprovada, nenhuma nova etapa pode ser executada, mesmo que o município deseje dar prosseguimento.

Para os moradores e para a comunidade escolar, a expectativa pela conclusão da obra permanece. A estrutura existente mostra que o projeto está tecnicamente preparado para avançar, mas depende de uma providência administrativa da esfera estadual. Enquanto o repasse não é regularizado, todo o cronograma fica suspenso, e os alunos continuam aguardando a entrega de uma escola que poderia estar perto de ser concluída.

Divergência política continua, mas a solução está nas mãos do Estado

As interpretações sobre a paralisação da Escola Maria da Conceição seguem divergindo, mas o processo administrativo mostra que o convênio está travado por falta de liberação das parcelas estaduais. A construtora executou o que era possível e o município cumpriu as contrapartidas, deixando a continuidade da obra totalmente dependente da decisão do governo estadual.

Sem a análise da prestação de contas pendente e sem a autorização do repasse, não há como avançar no cronograma. Enquanto o Estado não regulariza a situação, a obra permanece parada e a comunidade aguarda por uma definição que não está no âmbito municipal.

Foto de Lúcio Vérnon

Lúcio Vérnon

Jornalista formado pela PUC-GO, pós-graduando em comunicação política - editor do Folha Corrente - Coordenador de jornalismo da ASCOM

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